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Caterham Seven 600: nostalgia ao volante

Carro esportivo conversível preto vintage dirigindo em estrada rural com céu nublado e colinas ao fundo.

Calma, você não já avaliou isso antes?

Você deve estar a pensar no Caterham Super Seven 2000, que é virtualmente idêntico e carrega o mesmo visual “à moda antiga” deste aqui, só que com um motor Ford 2,0 litros mais esperto, herdado do Seven 360.

O carro da vez é o 600, que rouba motor e transmissão do simples 170. Ou seja: o três-cilindros turbo de 660 cm³ da Suzuki, modestos 84 bhp e câmbio manual de cinco marchas, embalados por um pacote de referências retrô tão forte que dava para aparecer num episódio antigo de Call the Midwife sem destoar da Poplar do pós-guerra.

E essa é a única diferença?

Na prática, sim. Ao contrário do 170, aqui não dá para assinalar o pacote R, embora boa parte do que ele traz seja opcional de qualquer forma. Entre os extras deste exemplar estão as rodas de 14 pol. pintadas na cor da carroçaria, o assoalho rebaixado (£600), bancos de couro com nervuras (£1.000), painéis laterais em couro (£1.000) e mais £1.300 em couro e carpete. Ou seja, aquele preço-base de £29.990 não dura muito.

E, se você quiser que a própria Caterham monte o carro, some mais £2.595 à conta. Como anda a sua habilidade no “faça você mesmo”?

Há ainda algumas cores exclusivas (ou melhor: “de época”, digamos assim). E é possível adicionar um diferencial autoblocante por £1.250. Mas, num carro como este, isso meio que foge da proposta.

Afinal, qual é a proposta de um carro assim?

Boa pergunta. O 600 e o 2000 parecem ser a forma que a Caterham encontrou para seduzir quem acha que o Seven padrão - use um pouco da imaginação - ficou moderno demais e com cara de futuro. Sabe, aquele tipo de coisa que a gente vê o tempo todo parado na porta de centros juvenis e no drive-thru do McDonald’s.

Brincadeiras à parte, a Caterham está apenas a reforçar o que torna os seus carros tão cativantes desde sempre. Se você já tem um automóvel que evoca outra época a cada metro, por que não levar essa nostalgia até ao volume 11? Pega os óculos cor-de-rosa, Vera - vamos dar uma volta.

E, para mim, o 600 sai melhor na foto do que o 2000. Esqueça a obsessão por relação peso-potência e acelerações que castigam: este aqui elimina o que há de banal na condução e deixa só a parte boa. É alegria pura, sem filtros. E custa cerca de dez mil a menos.

E aposto que ele não anda lá essas coisas.

Eu não disse isso. No papel, 0 a 100 km/h em 6,9 segundos não parece grande coisa, mas quando o seu traseiro está tão perto do asfalto e o vento vem a atacar de todos os lados… a sensação é bem mais viva.

O ponto é que não se trata de ser rápido. Trata-se de se deliciar com o acto de conduzir. A cerimónia de descer no banco; a resposta imediata do volante; a sensação de “nariz na frente” quando ele corta uma curva; o vento no cabelo e o sol bri-

Ok, já chega.

Desculpe, empolguei-me. Mas existe uma inocência na simplicidade mecânica dele que quase não se vê mais. Travões dianteiros de dois pistões e tambores atrás, pneus finos Avon ZTV, direcção por cremalheira e pinhão, e pouco mais. Cadê os ADAS? Cadê a câmara de ré? Cadê a meia tonelada de bateria? Em outra era, meu caro. É lá que isso está.

Tal como o 170, o 600 transborda informação, e você fica no epicentro de tudo, respondendo com uma redução aqui, uma correcção ali. O turbo solta um assobio toda vez que você tira o pé. O curso curto do câmbio manual é intencional, firme, sem indecisão - e, depois de um par de horas, também dá um belo treino.

A aderência vem na medida. Com apenas 460 kg para controlar, esses pneus dão confiança para explorar os limites em curva. Só não nas velocidades que costumam render conversa com a polícia local. Perfeito.

Tem alguma coisa de errado?

Ah, aos montes. A Caterham continua imune à inovação; então a ideia de um porta-copos ainda é tratada como tabu na nova sede de Dartford. A capota de botões é uma trabalheira. O conjunto de pedais vira um pesadelo se você tem pés grandes. A seta faz um barulho irritante. E, pior de tudo, a vibração que atravessa o chassis torna os retrovisores praticamente inúteis. Resultado: entrar no fluxo do trânsito dá um medo moderado.

A sorte é que esse pequeno anacronismo simpático parece acordar a bondade das pessoas quando você surge, a passo de passeio, no campo de visão delas. A vida no 600 vira uma sequência interminável de sorrisos, acenos, joinhas e lampejos. Não, não desse tipo. Lampejos de farol quando deixam você sair de um cruzamento. Sério.

E é aí que mora a verdadeira magia do Seven mais leve e mais pequeno da Caterham. Ele melhora o seu dia, e você sente o tempo todo que também está a melhorar o dia de outras pessoas. Só por passar na rua. Isso é uma sensação bonita ao volante.

Dá para dizer que o 170 padrão já entrega tudo isso, se você quiser poupar uma grana. Mas, se você pode (e tem um cachecol xadrez no armário)… compre um. Você não vai se arrepender. E o resto do mundo vai gostar de você por isso.

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