O que é a Xpeng, afinal, quando está na sua garagem?
A Xpeng é uma marca chinesa recém-chegada que está prestes a desembarcar no Reino Unido. Em poucas semanas, ela vai lançar por lá o SUV totalmente elétrico G6 - esse laranja que aparece nas fotos.
Mais um importado chinês. Por que eu deveria ligar?
Pergunta justa. Talvez porque o G6 tenha sido desenhado por JuanMa Lopèz, o mesmo espanhol que comandou o design do Lamborghini Gallardo Spyder. Ou porque a Volkswagen vai incorporar a arquitetura tecnológica da Xpeng nos seus elétricos destinados ao mercado chinês a partir de 2026 (e vale lembrar: a Xpeng também colocou uma empresa alemã para acertar a calibração do G6). Ou, ainda, porque pode soar interessante ter algo no estilo de um Tesla, mas sem preços no estilo de um Tesla.
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Com a enxurrada de novos elétricos e marcas pouco conhecidas que estão a caminho do Reino Unido, acompanhar tudo virou um desafio. De cabeça, já vimos chegar BYD Atto 3, BYD Dolphin, Jaecoo 7, Leapmotor T03, Omoda E5, Onvo L60 e Zeekr 001… mas existem outros que nem citámos e, até agora, nada realmente nos deixou de queixo caído (embora os preços tenham mantido a velha guarda em alerta).
O G6 vai me impressionar?
Provavelmente não. O visual parece ter ido ainda mais para o lado “sem graça” do que o próprio Tesla - e isso é intencional: a Xpeng quer que ele se misture aos modelos que já circulam por aí.
Pelo menos a cor chama atenção. De perto, o laranja tem um brilho arroxeado, que funciona melhor do que parece. Já a ausência de vincos e arestas faz o desenho depender muito dos faróis tipo “sobrancelha” pouco marcantes, dos arcos de roda contornados e do contraste de cor aplicado no spoiler.
Nos números, ele convence mais.
Em que sentido?
A Xpeng afirma que o G6 tem coeficiente de arrasto de apenas 0.248. Com 4,7 m de comprimento e quase 2 m de largura, ele entra no território de um Audi Q6. E também não é lento. Segundo os dados oficiais, o motor elétrico de série entrega 254 cv e leva o G6 de tração traseira de 0 a 100 km/h em 6.6 segundos. É um desempenho comparável ao da versão Sport Performance do Q6.
Ao escolher a bateria maior, o 0 a 100 km/h cai para rápidos 6.2s e a potência sobe para 281 cv. Boa.
Qual é a história de bateria, autonomia e recarga?
A base é uma arquitetura elétrica de 800 V, e haverá dois tamanhos de bateria: a padrão de 66 kWh e a de longo alcance com 87 kWh. A de 66 kWh, do tipo LFP, promete bons 270 miles (WLTP) e admite recarga rápida de até 215 kW.
A bateria de longo alcance, baseada em NMC, deve entregar até 354 miles de autonomia e aceitar até 280 kW de potência em carregadores rápidos.
Como é o interior?
Uma palavra: espaçoso. E com ar futurista. Pessoas mais baixas precisam puxar tanto o banco para a frente para alcançar os pedais que acabam perdendo a graça do teto de vidro impressionante - que amplia ainda mais a sensação de amplitude. Dá a impressão de que devia existir um intercomunicador para falar com quem vai atrás.
No restante, os revestimentos “de couro” e os materiais macios aparecem em opções claras ou escuras, e não passam sensação de barato. De série, há um sistema de som com 18 alto-falantes, bancos dianteiros que reclinam totalmente (embora não necessariamente fiquem planos), uma tela central horizontal de 10.2in com forte clima Tesla (no sentido de que praticamente tudo é configurado e acionado dentro dos menus digitais) e bancos traseiros aquecidos. Também vêm de fábrica os carregadores sem fio com refrigeração. Chique.
Para falar a verdade, é como ter uma varanda envidraçada bem confortável - sem precisar pagar por uma ampliação da casa. O nível de civilidade é tal que existem até apps de AppleTV+ e "Espaço de Mindfulness", para quem fica à espera de crianças em atividades após a escola conseguir relaxar e ter um pouco de silêncio enquanto aguarda.
Como o G6 se comporta ao volante?
Na prática, o G6 é bom de conduzir. Só que leva um tempinho a mais a caça pelos menus digitais para tirar o carro do modo Eco e colocar no modo Padrão. Essa mudança reduz a exigência exagerada da regeneração e deixa a frenagem mais suave - e muito mais confortável.
As acelerações são progressivas. Sim, é um elétrico e o torque chega na hora, mas o G6 tem uma sensação extra de disposição e parece querer agradar. Ele desliza com facilidade, a direção é leve e encara buracos sem solavancos dignos de nota.
Em curvas, o carro passa equilíbrio e segurança. A elevada rigidez torcional dá ao chassi a firmeza necessária para manter a compostura em contornos mais rápidos e, no conjunto, é um automóvel muito confortável de guiar - embora o ruído de rodagem entrando na cabine tenha sido maior do que esperávamos.
Já o controle de cruzeiro com capacidade de mudança de faixa teve resultados irregulares. O carro parecia saber bem o que estava a fazer - pelo menos 97 por cento do tempo. Assim como nos modelos da Tesla, o painel mostra onde estão os outros veículos na via, o que aumenta a confiança e a sensação de segurança… na maior parte do tempo. Sendo nível 2 da SAE, os recursos autónomos ainda exigem supervisão, então não conte com uma viagem “robotizada” até casa.
Ainda assim, dá para configurar o carro para reduzir a velocidade automaticamente quando uma placa altera o limite da via, ou para perguntar antes… ou, claro, para deixar você ajustar tudo manualmente, isto é: conduzir por conta própria.
Hum… e a tecnologia, como é?
Como já foi dito, praticamente tudo fica concentrado na tela central, que nem sempre se mostrou tão sensível ao toque enquanto o carro estava em movimento. Os botões do volante não vêm padronizados e precisam de configuração. Em contrapartida, toda função tem uma explicação escrita - e, em alguns casos, até uma animação - para que você saiba exatamente o que está a selecionar (ou, no caso dos bips e alertas sonoros, a desativar).
Há 29 sensores espalhados pelo carro, então o monitor de ponto cego não se resume a um aviso sonoro ou a um ícone laranja. Assim que você aciona a seta, surge uma imagem de câmara na tela central. Isso é bem legal, mas os botões nas portas para abri-las parecem um passo além do necessário. Só de imaginar quanto pode custar reparar uma única porta depois de uma batida já dá calafrios.
Falando em custo: quanto eu preciso para comprar um?
Com as vendas no Reino Unido previstas para começar por volta de março, o distribuidor ainda não abre o jogo sobre o preço do G6. Mas, na Europa, ele começou a ser vendido a partir de cerca de €43.000 (cerca de £35.000), o que dá uma pista.
Então… qual é o veredito?
Sem o preço exato, não dá para cravar. O G6 é claramente voltado para a família - muito espaço, várias opções de entretenimento sem exigir assinatura além do que você já pagaria (Netflix, AppleTV+ etc.) e um nível alto de conforto.
É quase certo que o G6 vai entrar na lista curta de muita gente, sobretudo se o preço realmente vier baixo. Já está inserido no ecossistema dos carros elétricos? O G6 surge como alternativa ao Tesla Model Y e oferece uma experiência mais orientada por tecnologia do que a de alguns fabricantes tradicionais hoje. A decisão de relevar pequenos tropeços de software no caminho rumo a um futuro mais autónomo é o que vai determinar se o Xpeng G6 será o seu.
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