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ACAP alerta: Portugal está virando o “caixote do lixo da Europa” com carros usados

Carro esportivo elétrico branco exibido em showroom com rodas pretas e detalhes verdes.

A Associação Automóvel de Portugal (ACAP) deixou um recado direto ao país e ao próximo governo: na visão da entidade, Portugal caminha para virar o “caixote do lixo da Europa” quando o assunto é o setor automotivo.

Alerta da ACAP ao próximo governo e à transição energética

A expressão foi dita por Sérgio Ribeiro, novo presidente da associação - que assumiu recentemente o lugar de Pedro Lazarino - durante uma coletiva de imprensa em Lisboa. Na ocasião, foram colocadas em cima da mesa propostas para conter o forte fluxo de veículos usados importados e, ao mesmo tempo, acelerar a transição energética.

“Estamos a tornar-nos o caixote do lixo da Europa com carros Diesel, a gasolina, que vão completamente contra o que a própria União Europeia e os governos acham que deve ser a evolução do setor”, afirmou o responsável, que assumiu funções no final de março.

Importações de usados e envelhecimento do parque automóvel em Portugal

O posicionamento aparece num contexto em que mais de metade das matrículas (emplacamentos) de veículos leves em Portugal corresponde a importações de usados, com idade média próxima de oito anos - um cenário que colide com as metas traçadas por Bruxelas para a descarbonização da mobilidade.

Além disso, em 2024 a idade média do parque automóvel em circulação no país passou de 14 anos. Segundo números da ACAP, os veículos leves de passageiros têm, em média, 14,1 anos, enquanto os comerciais leves chegam a 16 anos. Esses valores colocam Portugal entre os países com a frota mais envelhecida da Europa, onde a média é de 11,7 anos (dados da ACEA em 2022).

Incentivo ao abate até 5000 euros e fim do ISV

Entre as ações apresentadas, a ACAP defende um novo programa de incentivo ao abate, com apoio de até 5000 euros para quem comprar um veículo 100% elétrico.

A meta é substituir até 40 000 veículos até 2026, retirando das estradas portuguesas automóveis antigos e com elevada emissão de poluentes. Helder Barata Pedro, secretário-geral da ACAP, indicou que a idade média dos veículos enviados para abate em 2024 ficou em quase 25 anos.

A proposta também amplia o incentivo para a compra de qualquer veículo eletrificado - elétricos puros, híbridos ou híbridos plug-in - desde que tenha matrícula em Portugal, sem depender do modelo de financiamento. O abate seria feito sem custos para os proprietários. No total, essas iniciativas integram um conjunto de cinco medidas que a ACAP pretende apresentar ao próximo governo.

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