Pular para o conteúdo

Avaliação do Cupra Formentor V1 1.5 DSG

SUV cinza escuro em estrada curva com montanhas e céu nublado ao fundo.

O que é isto?

Este é o Cupra Formentor novo na versão de entrada - e ele definitivamente não é um Seat, porque aqui estamos diante do primeiro modelo independente da submarca ibérica mais chique e com pretensões esportivas. Também não dá para chamar de muito esportivo, já que este carro na especificação V1 vem com o conhecido motor a gasolina 1,5 litro, quatro cilindros, com 148 bhp, o mesmo que aparece aos montes nas linhas da Audi, Seat, Skoda e Volkswagen. Neste Cupra, isso se traduz em 0–100 km/h em respeitáveis 8,9 s e velocidade máxima de 203 km/h. Do lado positivo, ele inaugura o banquete de versões do Formentor por £27,395. Já o VZ Edition, o topo de linha “com tudo”, tem 306 bhp, sai por £43,840 e faz o 0–100 km/h em 4,9 s - um bom ponto para colocar na balança.

Para que serve, afinal, o Formentor?

É o tipo de pergunta que deixa a cabeça coçando. Aliás, há um tempo quem olha de fora tenta entender qual é exatamente o propósito da marca Cupra: os Ateca e Leon ainda se conectam bem ao passado do emblema como um pacote de acabamento mais sofisticado, enquanto a chegada do Formentor foi o sinal de que a Seat apostava que sua submarca premium teria fôlego para caminhar com as próprias pernas. Tanto que, nas palavras do CEO da empresa, o carro “encapsula a essência da marca”. Então era para ser simples, certo?

Nós já guiamos a versão que cospe fogo, mas configurações como esta V1 1,5 litro deixam claro o empenho da Cupra em ser um emblema completo, com uma gama sólida de modelos disponíveis. O problema é que, se nem todos forem esportivos, precisa existir algum outro pilar sustentando a marca… e não é como se o Grupo Volkswagen estivesse precisando de mais uma grife levemente mais premium e “dinâmica” no portfólio, não é?

Como ele anda?

Muitos SUVs acabam carimbados como “carros em pernas de pau”, mas o Formentor passa outra sensação: parece um SUV do qual tiraram um pedaço. A marca o define como um crossover cupê, o que já entrega que ele foge do SUV padrão, porém você só percebe o quão baixo está quando se vê olhando para cima para o motorista de um rival supostamente equivalente. Isso ajuda diretamente na dinâmica: a condução é afiada e faz o carro parecer esperto tanto na cidade quanto numa estradinha de interior.

O conforto de rodagem também surpreende, com uma suavidade que desmente o mito de que um carro precisa ter suspensão “quebra-vértebra” para sustentar pretensões dinâmicas. Só que fica a dúvida: talvez isso seja um engano, afinal estamos falando da versão de entrada.

Essa maciez, por sua vez, também combina bem com estrada, onde ele mostra maturidade e estabilidade que você nem sempre encontra num hatch equivalente. E, mesmo neste Formentor “de prateleira mais baixa”, há truques de economia como desativação de cilindros, sistema stop-start e afins.

Ainda assim, ele é um Cupra - e quer que você saiba que é incansavelmente esportivo e sempre pronto para a ação. O 1,5 com câmbio DSG dá aqueles pulinhos na saída toda vez. Fazer uma arrancada suave vira um desafio, e você e os passageiros acabam parecendo aqueles cachorrinhos de painel balançando a cabeça.

Em marcha lenta, o motor até empolga: um borbulhar mais áspero que rapidamente vira uma gritaria quando sobe de giro. Não é a trilha sonora da sua vida - enquanto o Formentor topo de linha mira rivais de hatches esportivos como o Golf R, este V1 mal se qualifica como “morno”. Nós conseguimos algo na casa de 40 mpg (milhas por galão), o que é bom, mas esse tipo de sensatez não combina muito com o emblema cobre. A sensação é mais de um carro do qual tiraram desempenho, e não de algo com potencial esperando mais investimento.

Duas coisas nos incomodaram. Primeiro, a direção é estranhamente “bamba” em linha reta, mas ganha firmeza conforme você esterça, deixando o início do movimento com um ar de incerteza. Segundo, o formato do capô faz um pico perto do motorista, o que dificulta “encaixar” o bico do carro no espaço. E, nesta versão de entrada, não há sensores de estacionamento dianteiros…

Cadê todos os botões?

É uma ótima pergunta - entre tantas reclamações possíveis da vida real ao volante, o sofrimento constante de ser obrigado a apertar coisas nunca esteve no topo da lista. Nem no top 10.

Não queremos bancar os luditas: se mudar o jeito de fazer algo significa fazer melhor, ótimo, tragam a tecnologia. O problema é que a visão gloriosa da Volkswagen de um futuro sem botões não virou a revolução divertida que talvez imaginaram nas inúmeras reuniões de planejamento na sede de Wolfsburg.

No Formentor acontece o mesmo: a tela tátil “flutuante” de 12 pol. tem atrasos, foi pouco sensível aos nossos dedos calejados e funções básicas ficaram escondidas atrás de camadas de submenus.

Há comando de voz, caso você prefira evitar tocar em qualquer coisa (o que hoje em dia é bem sensato). Só que, para não apertar nada, você precisa dizer “hola hola” para ativar o sistema. Também existe um botão no volante que avisa ao carro que você tem algo importante a dizer.

Vale a pena a versão mais simples?

Na prática, você não fica tão “no osso” assim: o carro ainda vem bem equipado - há Apple CarPlay/Android Auto sem fio e carregamento por indução para o telefone, rodas de liga leve de 18 pol., limpadores automáticos, sensores de estacionamento traseiros, ar-condicionado de três zonas, partida sem chave, controle de cruzeiro adaptativo e uma leva de recursos de segurança. Ninguém sai de mãos vazias; só vai demorar mais para chegar lá.

Talvez porque a tela tátil tenha engolido os botões, mas o Formentor abraça forte um minimalismo à la Marie Kondo. A pequena alavanca/seletor de câmbio, já conhecida de outros produtos do Grupo VW, eleva imediatamente a sensação do interior, porém não há muita coisa além disso para “mexer” aqui dentro. Um lado positivo do novo protagonismo da tela é a ausência daquelas fileiras de botões tampados que lembram o tempo todo que você comprou a versão de entrada.

Depois de algum tempo com o Formentor, fica claro que ele mira sobretudo quem ainda não está pronto para admitir que quer um SUV. Mas para onde ir quando a vida começa a pedir mais do que um hatch Ibiza? A Seat tentou criar algo para esses antigos aprontadores, que querem trocar a sangria por algo um pouco mais rico e encorpado.

Olhando para o custo mensal de contrato, este V1 1,5 litro com DSG sai por algo em torno de £400; subir para o motor 2,0 litros leva a cerca de £420; a versão híbrida plug-in fica mais perto de £490; e o nervoso de 306 bhp passa de £500 por mês. Só não esqueça que até o Seat Ateca topo de linha (o parente genético mais próximo do Formentor) mal passa de £400 por mês num contrato mensal.

Existem SUVs melhores e mais sensatos por aí - e você nem precisa ir além de uma concessionária Seat ou Skoda para encontrar -, mas nenhum oferece a mesma diversão madura, meio chocolate amargo numa sexta-feira à noite, com um toque de irreverência, que deixa você canalizar uma juventude levemente mal aproveitada do jeito mais seguro possível. Se for para fazer, faça direito: pegue o máximo de potência que o seu bolso permitir.

Nota: 6/10

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário