Pouca gente conseguiria antecipar o nível de sucesso que a Dacia vem alcançando nos últimos anos - e menos ainda que, a essa altura, a marca romena se transformaria numa espécie de “galinha dos ovos de ouro” dentro do Grupo Renault.
E é exatamente isso que está acontecendo. Hoje, a Dacia está entre as marcas mais lucrativas do grupo francês e exibe margens operacionais no patamar que normalmente associamos às fabricantes premium.
Durante o Renault Capital Markets Day, Luca de Meo, CEO do Grupo Renault, foi direto ao falar do peso da empresa: “A Dacia é uma das pepitas de ouro do grupo”, afirmou, segundo os britânicos da Autocar.
Na sequência, Luca de Meo revelou que a Dacia já opera com uma margem operacional de “dois dígitos, superior a 10%”, e admitiu que a meta é alcançar 15% em 2030.
Para chegar lá, será decisiva a entrada mais forte da marca no segmento C, que é bem mais rentável do que o segmento B (hatches compactos) - faixa em que se concentra praticamente toda a linha atual: “A Dacia vai continuar a ser a Dacia, mas será maior”, disse Luca de Meo.
A receita é simples…
A ambição é fazer com que, em 2030, 40% das vendas da fabricante romena venham desse segmento. A lógica, como resumiu Thierry Piéton, diretor financeiro do grupo, em declarações citadas pela Autocar, é direta: “Custo de segmento B e receita de segmento C. Esta é a receita para os 15% (de margem)”, disse, lembrando que a Dacia “é uma das únicas marcas que está a crescer num mercado muito deprimido“.
Outro ponto que ajuda a entender esses resultados é que 85% das vendas da marca romena são para clientes particulares. Esse perfil tende a gerar mais rentabilidade do que vendas para empresas/frotas - por haver maior disciplina de preços e uma seleção mais ampla de opcionais.
Por isso, o Grupo Renault tem mantido o fornecimento de componentes para a Dacia sem travas, mesmo com a escassez que vem afetando a indústria, especialmente de semicondutores: “Se tiver que dar mais chips à Dacia porque ela faz mais dinheiro, então vou dar mais chips à Dacia, que é precisamente o que estamos a fazer atualmente”, declarou Luca de Meo.
Bigster mais dois
O Bigster será uma das principais caras desse reposicionamento mais elevado da Dacia quando chegar, em 2024. Ele ficará acima do Duster, embora utilize a mesma plataforma CFM-B (também empregada pelo Sandero), justamente para manter os custos baixos.
Além do Bigster, a Dacia planeja lançar outros dois crossovers do segmento C até 2030. No caso do Bigster, em teoria, será possível dobrar as margens em comparação com um modelo menor (e mais barato), como o Sandero.
Ainda assim, existe um fator que complica as contas do grupo francês: a eletrificação pela qual o setor automotivo está passando, que tende a encarecer os carros.
O próximo Dacia a avançar na eletrificação será o Jogger, que ganhará uma versão híbrida no ano que vem e, apesar da expectativa de ser o Jogger mais caro, também deverá ser o híbrido mais barato do segmento. Em 2024, haverá ainda um novo Spring.
Nova divisão “Power” será fundamental
Nesse contexto, a divisão Power, anunciada recentemente pelo Grupo Renault, terá papel central para manter sob controle os custos dos modelos eletrificados.
Isso porque essa divisão - com 50% de participação do Grupo Renault e 50% da chinesa Geely - ficará responsável por seguir desenvolvendo modelos a combustão interna e híbridos para Renault, Dacia e para a Renault VCL (divisão de veículos comerciais leves).
Ao todo, a operação vai empregar 19 mil pessoas e contará com 17 unidades de produção de conjuntos motopropulsores e cinco centros de pesquisa e desenvolvimento distribuídos por três continentes.
Fonte: Autocar
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