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Audi S3 reestilizado: 328 bhp, EA888 2,0 e divisor de torque do RS3

Carro Audi cinza com detalhes vermelhos e rodas vermelhas em estrada curva com montanha ao fundo.

Eita, que pintura chamativa…

Pelo visto, ninguém avisou a Audi de que camuflagem normalmente serve para se misturar ao ambiente. Mesmo assim, esse visual sem pudor acaba sendo útil: ele entrega com clareza o que vem por aí na reestilização do S3. Dá para notar para-choques novos na dianteira e na traseira, conjunto óptico atualizado e uma grade renovada - o tipo de pacote “padrão” de qualquer atualização.

A gente até poderia destrinchar o desenho com mais calma, mas, oficialmente, ainda não: a Audi quer segurar o segredo do estilo para mais adiante. Talvez, então, não fosse a melhor ideia pintar as peças novas de laranja gritante. Só uma sugestão.

Então, sobre o que dá para falar?

O que dá para adiantar é que já dirigimos este S3 atualizado e ele vai além de uma mudança estética. Sim, toda marca diz isso quando um modelo chega à metade do ciclo, mas aqui existe conteúdo: o S3 recebe algumas alterações importantes que o fazem parecer, mais do que nunca, um “mini RS3”.

Isso anima. Dá para contar os detalhes?

Dá, sim. A principal notícia é que a Audi tirou ainda mais fôlego do conhecido motor EA888 2,0 litros turbo do Grupo VW. Agora são 328 bhp e 310 libra-pé de torque. Antes da reestilização, o número era 306 bhp e 295 libra-pé.

Com esse ganho - e com um “turbo pré-carregado”, como no VW Golf R 20 Years - o 0 a 100 km/h (0 a 62 milhas por hora) cai um décimo e passa a 4,7 segundos (e suspeitamos que isso seja até conservador). A velocidade máxima continua limitada a 250 km/h (equivalente a 155 milhas por hora).

Só que o aumento de força nem é a virada mais relevante. A Audi também colocou no S3 o divisor de torque no eixo traseiro vindo do RS3. Já dá para imaginar o rumo da conversa, não é? Diferentemente do RS3 e de carros como o Golf R Mk8, o S3 não recebe um modo de drift dedicado. Ainda assim, ao selecionar o novo modo de condução Dynamic+, aparece um S3 que aceita sobre-esterço. A gente nunca achou que fosse ver isso.

Calma: sobre-esterço num S3? O mundo vai acabar?

Sim, temos quase certeza de que aquele manuscrito antigo, Quinze Sinais antes do Juízo Final, já avisava que “o sol ficará negro”, “os mortos se levantarão e se sentarão sobre suas tumbas” e “a Audi fará um hot hatch que prefere sobre-esterço a subesterço”. Algo nessa linha.

Brincadeiras à parte, o divisor consegue mandar até 100% do torque do eixo traseiro para apenas uma das rodas. Em piso escorregadio ou nos modos mais comportados, tende a enviar mais força para a roda interna. Já nos modos mais esportivos, manda mais torque para a roda externa para ajudar a “apontar” a frente do carro no meio da curva.

E tem o cenário mais malvado: no Dynamic+ (que coloca o ESC na calibração esportiva, eleva as rotações em marcha lenta e deixa a resposta do acelerador mais afiada), basta cravar o pé no meio da curva para o sistema acelerar rapidamente a roda externa e colocar o carro de lado. Em estradas de montanha lisas e com areia em Omã, o S3 parecia procurar qualquer desculpa para repetir a dose. Não é o jeito mais natural de provocar uma derrapagem - essa aceleração extra da roda externa dá uma sensação estranha -, mas é impossível negar que é divertido demais. E quando foi a última vez que alguém disse isso de um S3?

Parece ótimo. O que mais eu preciso saber?

A Audi afirma que aprimorou o câmbio S tronic de sete marchas para cortar pela metade o tempo de troca sob carga total. Ela também instalou novos braços triangulares e alguns “truques” de suspensão dianteira emprestados do RS3, o que deixa a frente mais rígida e permite mais cambagem negativa.

O resultado é uma entrada de curva bem mais esperta: o S3 está mais “pontudo” do que nunca foi. O peso no volante também ficou agradável depois de ajustes nas características da direção. Não chega ao nível de retorno de um Porsche, mas aquela tendência inicial ao subesterço praticamente desapareceu.

Sobre conforto de rodagem, é difícil bater o martelo com o asfalto impecavelmente liso e o amortecimento adaptativo do nosso teste, mas a impressão é que não deve ficar muito mais firme do que o S3 anterior. Ainda existe um pouco de inclinação de carroceria nas curvas.

As rodas laranja berrantes calçam pneus esportivos novos e, por trás, há freios maiores de 18 polegadas com discos ventilados, pinças de dois pistões e pastilhas maiores para melhorar a força de frenagem. As primeiras sensações indicam que o pedal não é ruim para os padrões atuais - e um camelo kamikaze que cruzou a nossa rota ajudou a confirmar que as melhorias valeram o trabalho.

E sim, você provavelmente reparou no escapamento Akrapovic aparecendo atrás. Ele é mais leve e mais barulhento do que o escape padrão do S3 e será opcional quando a reestilização chegar ao mercado. Considerando o quanto o Akrapovic é popular nos Golf R, dá para imaginar que muitos S3 vão sair assim. O som é bacana, mas faça um favor: desligue o ruído artificial que é reproduzido dentro da cabine. Por que pagar mais por um escape especial se, no fim, você vai deixar os alto-falantes fazerem o serviço?

E o que dá para dizer sobre a cabine?

Ah… então… quase nada. Viu essa espécie de toalha preta enorme cobrindo o interior inteiro? Pois é: a Audi não deixou a gente espiar por baixo. Pelo menos, dá para ver botões físicos de verdade no volante. Aleluia.

No fim das contas, esta atualização gira em torno do sobre-esterço. Talvez tenha sido a experiência mais divertida que já tivemos num S3. Ele não tem o cinco-cilindros cheio de personalidade, mas certamente está mais perto do RS3 do que jamais esteve. Só torcemos para que não tenha sido tudo culpa da areia na estrada…

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