Os desafios da Maserati estão longe de ser novidade. Mesmo com mais de um século de tradição no setor automotivo, os últimos anos da marca têm sido marcados por prejuízos e por um volume de vendas muito abaixo do esperado.
Tarifas de 25% nos EUA colocam a Maserati sob pressão
Com a imposição de tarifas automotivas de 25% por Donald Trump, presidente dos EUA, o cenário ficou ainda mais complicado. Historicamente, os EUA são o principal mercado da Maserati - e todos os seus modelos chegam ao país importados da Itália.
Na prática, isso reduz a competitividade da Maserati diante das rivais locais: ou a empresa repassa o aumento e eleva os preços na mesma proporção, correndo o risco de perder vendas, ou assume o custo extra, o que pressiona a rentabilidade.
Stellantis, McKinsey e novos receios sobre o futuro da marca
Nos últimos dias, um porta-voz da Stellantis confirmou que o grupo contratou a consultoria McKinsey para avaliar o impacto das novas tarifas - tanto na Maserati quanto na Alfa Romeo. A medida aumentou o receio de que as marcas italianas passem por uma reestruturação.
Com isso, voltaram a circular rumores de que a Stellantis estaria considerando vender a Maserati, como já havia acontecido no ano passado. A Stellantis voltou a negar, de forma categórica, os boatos de venda.
Essa sinalização veio por meio de uma carta de Santo Ficili, diretor-executivo da Maserati, enviada ao sindicato UILM Union (União Italiana dos Trabalhadores Metalúrgicos). No texto, ele afirma que “a Stellantis continua comprometida com a Itália, seus trabalhadores e suas marcas, incluindo a Maserati.” E completa: “Os EUA continuam sendo um mercado estratégico para a Maserati.”
Apoios retirados e quedas nas vendas
Apesar do tom de tranquilidade, os indicadores da Maserati seguem levantando preocupação. Em 2024, a marca registrou um prejuízo de 260 milhões de euros e uma queda de 57% nas vendas globais, de 26 600 para 11 300 unidades.
No primeiro trimestre de 2025, o movimento continuou, com um recuo adicional de 48% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Também neste ano, a Stellantis cancelou um investimento de 1,5 mil milhões de euros na Maserati, que seria direcionado ao desenvolvimento de novos modelos - incluindo as novas gerações, exclusivamente elétricas, do Quattroporte e do Levante.
Pouco depois dessa decisão, a Maserati decidiu cancelar também a estreia do MC20 Folgore, um superesportivo 100 % elétrico que estava previsto desde o início do projeto.
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