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Kia Sorento PHEV: avaliação do SUV de sete lugares

SUV azul da Kia modelo Sorento trafegando por estrada sinuosa em área rural montanhosa.

Ah, recém-chego de bloquear o Canal de Suez…

Calma: não é o Ever Given. É o novo Kia Sorento de sete lugares na versão híbrida plugável (PHEV) - mais para uma barcaça do que para um navio de contêineres. Andámos no topo de linha ‘4’, com o preço indigesto de £53k. Lembra quando Kia era sinónimo de carro pequeno, barato e com jeito de “papelão”? Em termos geológicos, isso foi ontem.

Dá mesmo para levar sete pessoas?

Nesta quarta geração, o Sorento ganhou mais 35 mm de entre-eixos, ficou um pouco mais largo e mais alto e ainda esticou o comprimento total em 10 mm. A grande sacada é a forma como a Kia encaixou o conjunto de baterias sob o piso do habitáculo sem roubar espaço útil de passageiros e bagagens, como muitos fazem. Aliás, a maioria dos utilitários de sete lugares com motor a combustão (IC) acaba por perder os dois lugares extras quando vira PHEV - então, ponto para a Kia pela inteligência de embalagem.

Por dentro, o Sorento é bem generoso, sobretudo na segunda fileira, que ainda vem com portas USB adicionais (leia-se: mais paz e silêncio para quem vai ao volante). Já a terceira fileira tem as ressalvas de sempre - é para crianças ou para aquela pessoa que você prefere manter lá atrás. Com cinco lugares em uso, o porta-malas oferece 604 litros, um número bem respeitável; rebatendo os bancos do fundo, chega a 1.988 litros, ficando enorme. E, sim, com os sete lugares montados ainda sobra um restinho de porta-malas (175 litros): cabe um sanduíche de posto, essas coisas. Um lanche para beliscar enquanto você espera as crianças no treino de lacrosse - ou na atividade do mês que você resolveu “apresentar” a elas. Um dia elas agradecem.

Qual é a autonomia no modo elétrico?

No modo elétrico, o Sorento PHEV é homologado para 35 milhas (56 km) no ciclo WLTP - ou 43 milhas (69 km) se o uso for só em cidade. Ao selecionar o modo automático, o “cérebro” do carro gere a energia para priorizar eficiência, recorrendo ao motor a combustão quando precisa de mais aceleração ou em velocidades mais altas.

A bateria de 14 kWh recarrega numa tomada Type 2, com carregador de bordo de 3,3 kW. É uma recarga sem pressa: a 3,3 kW, dá para recuperar algo como cinco a seis milhas por hora (8 a 10 km/h). Em outras palavras, faz mais sentido ligar em casa e deixar durante a noite.

E os equipamentos, são bons?

Entre os recursos práticos, o mais divertido é o intercomunicador do passageiro: ele capta a voz do condutor e a reproduz nos alto-falantes traseiros. Em tese, serve para chamar a atenção das crianças na terceira fileira; na prática, também funciona para fingir que você está a pilotar um avião quando não há ninguém por perto.

O item que mais fez falta depois foi a pequena câmara de ponto cego que aparece no painel de instrumentos quando você aciona a seta, mostrando a lateral do carro. É tão útil e tão intuitivo que fica a pergunta: como é que quase ninguém pensou nisso antes?

Como o Kia Sorento PHEV se comporta ao volante?

Ele não é um MX-5 - mas também não dá para insistir na fantasia de que um SUV de 2,1 toneladas vai “brigar” de igual para igual com um conversível japonês leve. Ainda assim, o Sorento consegue esconder bem o peso em movimento, embora haja alguma inclinação da carroçaria.

O conforto de rodagem é bom, e a suavidade combina com a forma como um conjunto eletrificado naturalmente incentiva uma condução mais tranquila. Você acaba a aliviar o acelerador para continuar no modo elétrico, ou a tirar o pé bem antes de curvas e cruzamentos para aproveitar a regeneração e poupar energia. E, claro, por estar entre os maiores carros na via, surge aquela sensação de domínio: você vai alto, “entronizado” ao volante, a observar o que vem pela frente. Bastam cinco minutos para entender por que tanta gente gosta de conduzir algo assim.

E a concorrência?

O curioso é que baterias e o resto do “aparato” elétrico ocupam espaço - e o lugar mais “fácil” de tirar volume de um carro é o porta-malas, porque a maior parte do tempo ele só está lá (tirando quando carrega bagagem). Só que, num sete lugares, o porta-malas já é quase simbólico quando todos os bancos estão erguidos: fica só o espaço para cada passageiro levar uma caixinha de sumo na próxima paragem.

Por isso, vários sete lugares tradicionais com motor IC foram obrigados a abdicar dos dois assentos extras ao migrar para a eletrificação. Assim, rivais naturais como Mitsubishi Outlander, Land Rover Discovery Sport e Audi Q7 saem de cena - enquanto Skoda Kodiaq, Land Rover Discovery e Peugeot 5008 ainda não oferecem alternativa elétrica.

Alguém oferece sete lugares e capacidade de emissão zero?

É aqui que o cenário afunila: o único outro PHEV que leva todo mundo é o Volvo XC90 Twin Engine, que começa em £65,540 e vai subindo até £75,190. De repente, pagar £50,595 num Kia bem equipado já não parece tão absurdo.

O Toyota Highlander custa praticamente o mesmo que o Sorento PHEV (começa em £50k), mas é “só” um híbrido comum e sem graça, capaz de rodar em modo elétrico apenas algumas centenas de metros por vez. Fora isso, as opções viram uma salada de Teslas totalmente elétricos (e caros) ou a Mercedes EQV. Ufa.

Então vale a pena escolher o Kia Sorento PHEV?

Híbridos plugáveis como este ainda não resolvem tudo para toda a gente, e dá para economizar olhando versões abaixo. Pegue o acabamento ‘3’, por exemplo, que é o que aceita mais opcionais. Nele, você pode escolher PHEV, híbrido convencional ou diesel, por £48,895, £43,010 e £41,520, respectivamente (ou £531/£457/£413 se a conta for no leasing mensal). Tem opção para vários perfis.

Ainda assim, o que dá pontos extras ao Sorento é justamente a falta de rivais PHEV de sete lugares; sem isso, a disputa no segmento fica bem mais apertada. Se você tem um ponto de recarga fácil onde estaciona e consegue aproveitar ao máximo a autonomia limitada, então vá em frente.

Pontuação: 7/10

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