Da obsessão pela leveza ao ganho de massa na Lotus
Durante muito tempo, a Lotus foi quase definida pela busca obsessiva por reduzir o peso de seus carros - um princípio que virou dogma com seu fundador, Colin Chapman.
Nos últimos anos, porém, a marca se afastou dessa ideia. A eletrificação e o avanço tecnológico adotados após a compra pela chinesa Geely trouxeram melhorias claras em desempenho e eficiência, mas também expuseram um efeito colateral incômodo para uma fabricante historicamente ligada à leveza: os modelos ficaram mais pesados.
Esse tema voltou ao centro do debate por um motivo inusitado. Quem levantou a crítica, recentemente, foi o próprio diretor executivo da montadora britânica, Feng Qingfeng.
Em um encontro com a imprensa, ele declarou que qualquer carro esportivo com mais de 1800 kg é, no mínimo, “medíocre”. A fala soou como uma alfinetada indireta - inclusive porque a realidade atual da empresa não combina com esse limite.
Um padrão que a Lotus já não cumpre
A contradição aparece quando se confronta a frase de Feng Qingfeng com a linha atual da Lotus: a maior parte dos modelos já passa da marca de 1800 kg.
E não é preciso nem olhar para os primeiros SUV e sedã da fabricante, os elétricos Eletre e Emeya, que ficam em torno de 2,5 toneladas. Até mesmo os esportivos da Lotus já estão acima da meta que o próprio CEO mencionou.
O exemplo mais emblemático é o Lotus Evija. O hipercarro elétrico produzido em Hethel pesa cerca de 1905 kg, portanto bem acima do limite definido pelo diretor executivo.
Hoje, quem foge à regra é o Lotus Emira. Com aproximadamente 1451 kg, ele é o único modelo da gama atual que se mantém abaixo da fasquia dos 1800 kg, ficando mais alinhado à filosofia tradicional da marca.
Type 135 e o próximo esportivo híbrido V8 da Lotus
As declarações ganham ainda mais peso num momento em que a Lotus prepara uma nova etapa para seu portfólio. A empresa trabalha em um futuro esportivo híbrido com motor V8, conhecido como Type 135.
A expectativa é que o modelo ultrapasse os 1000 cv e traga maior ênfase na relação peso-potência - um terreno que já foi essencial para a identidade da Lotus.
Resta saber se a promessa de controlar a massa realmente vai se concretizar e se o carro ficará abaixo do padrão apontado por Feng Qingfeng. Caso isso não aconteça, permanece a ironia: a crítica mais dura à linha atual teria vindo justamente de quem tem mais condições de mudar esse cenário.
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