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Kia Proceed GT e Ceed GT: dois testes

Carro branco Kia circulando em estrada sinuosa cercada por pedra e árvores ao entardecer.

O que é isso?

Uma lufada de ar fresco da Kia. O novo Proceed chega para ocupar um nicho que quase ninguém tenta preencher hoje em dia - e, sim, não é mais um crossover “de mentirinha” com jeito de jipe. Milagre? Talvez. Na prática, ele é uma perua com proposta mais emocional, só que a própria Kia já vende a Ceed Sportswagon, aquela perua quadradinha e racional. Por isso, o Proceed foi pensado para ser mais baixo, mais comprido, mais elegante e, de propósito, um pouco menos prático.

E aqui estamos com a versão mais rápida: o Proceed GT. Claro que é. Quem entra no TopGear.com não está à procura da alternativa sensata.

Este é o Proceed de nova geração e, como dá para notar, ele deixou de ser aquele “cupê-hatch” de três portas. Como as vendas de cupês e carros de três portas despencaram, a Kia mudou a estratégia e transformou o Proceed num hatch de cinco portas com jeito de shooting brake. Nome igual, proposta diferente.

“Mas o título prometeu dois testes…”

Prometeu e entrega. O Proceed GT tem um “irmão” mais tradicional: o Ceed GT, com carroceria hatch mais alta e vertical. Motor igual, traseira diferente - e diferenças importantes na forma como cada um se comporta ao volante. Já já a gente volta ao Ceed GT, tudo bem?

Design do Kia Proceed GT: bonito de verdade

Sim, o texto vira uma fábrica de trocadilhos com “proceed”, mas a Kia fez o mais importante: simplificou o nome (sem apóstrofos e firulas) e tratou de desenhar um carro realmente atraente. Em fotos, ele às vezes parece alto e meio desajeitado; ao vivo, porém, o Proceed GT fica excelente.

Aquele detalhe na linha dos vidros, lembrando uma barbatana invertida, não soa forçado. Os toques de vermelho na grelha funcionam, as rodas aro 18 com “falso centrelock” combinam, e a traseira tem até um quê de Porsche Panamera de “segunda linha”. Ele tem presença. E, sinceramente: faz quanto tempo que você viu um Kia com cara duvidosa?

Interior, ergonomia e espaço

Vamos começar pela frente - onde tudo é familiar e um pouco sem graça - e depois seguir para trás, que é onde o carro começa a ser mais esperto.

A central multimédia (tela sensível ao toque) é fácil de usar e fica bem alta, no campo de visão. O painel de instrumentos é muito legível. Pena que o visor entre os mostradores seja minúsculo, como se você estivesse a tentar ver um painel digital sofisticado pela ponta errada de um telescópio.

Gosto do ar geral de simplicidade: botões e comandos bem posicionados para aquecer aqui, arrefecer ali. Mas o desenho do conjunto parece menos “smartphone de 2019” e mais “aparelho de som japonês dos anos 1980”. E o excesso de plástico prateado a imitar alumínio escovado é daquele tipo que lembra brinquedo antigo.

Pelo menos os bancos são um ponto alto: confortáveis e com bom apoio, embora a posição pudesse ser um pouco mais baixa. A costura vermelha aparece em todo lado com entusiasmo - e não há tantos outros detalhes esportivos assim para empolgar.

Atrás, você perde um pouco de espaço para a cabeça. Adultos viajam bem, desde que aceitem sentar um pouco mais “afundados”, mas ninguém escolheria um Proceed GT para um negócio de carro de casamento a crescer. Ainda assim, é uma troca coerente: o público-alvo são pessoas de estilo de vida “trendy”, com hobbies e pouca necessidade de levar crianças - gente a gastar o dinheiro extra em bicicletas de montanha, equipamento de campismo e TVs grandes. E tudo isso cabe muito bem no porta-malas.

A tampa traseira abre sem assistência eléctrica - o que, na prática, deixa o movimento mais leve e bem mais rápido - e revela um porta-malas a apenas quatro litros de chegar aos 600 l. É quase o que entregam peruas “de verdade” de marcas como VW e Ford. Rebatendo o banco traseiro, com o piso quase plano, aparecem 1,465 litros disponíveis. Há divisórias para bagagem, pontos de amarração e um verdadeiro “porão” de espaços sob o assoalho. Para quem pedala, colecciona plantas em vasos ou simplesmente precisa carregar tralha, há pouco do que reclamar.

Como anda: Proceed GT vs Ceed GT

Aqui vale recolocar o Ceed GT na conversa por dois motivos. O primeiro é o câmbio. Para simplificar a compra e acompanhar o que o público espera de hatches esportivos e peruas “arrumadinhas”, a Kia separou as escolhas: no Ceed GT hatch, a única opção é um câmbio manual de seis marchas. Já no Proceed GT, a perua vem de série com um automático de dupla embreagem e sete marchas, com trocas por aletas.

O segundo motivo é o peso. Por ser mais comprido e automático, o Proceed GT fica um pouco mais pesado do que o hatch manual. A diferença é de 52 kg - 1,468 kg contra 1,386 kg. Parece pouco, mas basta para fazer com que o Ceed GT, com trocas “humanas”, seja tão rápido quanto o Proceed GT, que troca “instantaneamente”.

Os dois usam um motor 1.6 turbo de quatro cilindros, com 201bhp e 195lb ft. Ambos fazem 0-62mph em 7.2 segundos. É desempenho de hatch “morno e esperto”, não de hatch realmente rápido. Quer algo quente de verdade? O caminho é o Hyundai i30N - pode confiar. O Ceed GT continua a ser, como sempre foi, uma proposta mais contida.

Estilo vs substância (sem exageros)

Não é caso de dizer que o Proceed GT é só aparência, mas, ao alternar entre os dois repetidamente, o Ceed GT acaba a destacar-se - no sentido literal e também no figurado.

Adicionar uns 50 kg não muda nada num Panamera real; num “quase Panamera” com 201bhp, esse ganho pesa. E as trocas para cima um pouco “arrastadas” do Proceed GT ajudam a criar a sensação de que o motor, embora até disposto, trabalha mais pressionado do que deveria. Ele não sobe de giro com a mesma vontade - no papel, só empata com o Ceed GT porque a caixa DCT recupera tempo com as mudanças.

O Ceed GT parece mais esperto e, principalmente, mais divertido quando você estica as marchas. Os dois têm conforto bem resolvido, fazem média na casa dos 30 e poucos por galão, e deixam passar ruído de vento e de asfalto em excesso quando se roda a velocidade de autoestrada.

Direção, modos e o problema das aletas

Há um botão Sport ao lado da alavanca nos dois carros. Ele acrescenta peso a uma direção que já é naturalmente firme, mas preserva uma boa leitura do nível de aderência na dianteira - algo útil quando não existe um diferencial para repartir a força entre as rodas.

O detalhe realmente difícil de perdoar é que, mesmo em Sport, o Proceed GT troca sozinho para cima no limitador de giros, o que torna as aletas baratas completamente dispensáveis. Isso te afasta da condução. No Ceed GT, o câmbio manual, leve mas preciso, faz o oposto: te puxa para dentro da experiência. Não há “blip” automático nas reduções, mas a resposta é suficientemente rápida para você acertar as mudanças do jeito clássico.

Som e comportamento em curva

O som é encorpado e de bom coração - talvez até com mais “latido” do que “mordida”. Há um volume de escape grave e borbulhante ao passar por uma vila calma e, por dentro, o ressonador deixa tudo um pouco… ressonante, quando tenta imitar um V6 num tipo de karaokê mecânico. No conjunto, é mais divertido do que um Honda Civic Type R, mas não tão autêntico. Deve agradar a quem não é de extremos. E, sim, o escape não recorre a “estouros” artificiais.

Se você faz questão dos “pops and bangs”, então compre um Hyundai i30N. A menos que você more perto de mim - eu gosto de dormir.

Em curvas, como era de esperar, o Ceed GT mais leve parece mais solto e vivo: está mais disposto a fazer as clássicas manhas de hatch esportivo, como levantar roda e insinuar sobresterço ao tirar o pé. O Proceed é bem mais “amarrado”, mais feliz em andar depressa sem aprontar.

Ainda assim, ambos surpreendem pela aderência. A explicação aparece quando você olha a lateral dos pneus: Michelin PS4 de série, a fazer o trabalho como sempre.

Não há amortecedores adaptativos, nem diferencial autoblocante activo, nem modos “Individual” para configurar. É um hatch esportivo de abordagem simples - e essa honestidade é bem-vinda. Mas, entre os dois, não há dúvida: o Ceed GT é o mais gostoso de guiar, enquanto o Proceed GT, um pouco mais lento nas respostas, é aquele carro que dá mais prazer em olhar para trás depois de estacionar.

Então, qual comprar?

O Ceed GT, porque além de mais agradável ao volante, também custa menos. Existe uma única configuração (muito bem equipada) e ela sai por £25,535 - ou um pouco acima de £26k se você preferir branco, cinza ou preto em vez do vermelho.

O Proceed GT começa em £28,135 e, por mais bonito que seja, esse preço já entra demais no território do Hyundai i30N para um hatch “meio termo” de 200bhp. Ainda mais agora que a Hyundai oferece a sua própria versão de traseira longa e porta-malas grande: custa cinco libras abaixo de £30k (vaias), mas entrega uma condução que vale cada centavo extra (aplausos).

Dito isso, o Ceed GT tem mérito no seu pequeno espaço no mercado: oferece tamanho de Focus ST com potência de Fiesta ST e mais “brinquedos” do que uma megapromoção de novembro. O novo hatch é muito melhor de conduzir do que o antigo. Já o Proceed GT não chega ao mesmo nível, mas é muito mais divertido do que colocar mais um crossover na garagem.

Kia Proceed GT (especificações do Ceed GT entre parênteses)

6/10 (7/10)

2.0-litre 4cyl turbo, 201bhp, 195lb ft
0-62mph in 7.2sec, 140mph (143mph)
39.3mpg, 142g/km CO2 (38.2mpg, 155g/km CO2)
1438kg (1386kg)

£28,135 (£25,535)

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