O que é?
Este aqui é o Volvo XC60 Black Edition - aquele tipo de série especial “tiragem do lucro” que muita gente juraria que a Volvo nem faria, só que o modelo já está a caminho do sétimo ano (o que dá uns 112 em anos da indústria automóvel) e, em algumas partes do mundo, a economia não anda exatamente a sorrir.
Na prática, trata-se de um XC60 com mais firulas: parte das versões mais completas e acrescenta caprichos que o dinheiro, teoricamente, não compra - como o pacote de acabamentos externos totalmente escurecidos.
Quanto custa?
A linha Black Edition começa em £54,035, mas nós testámos a versão de topo, a T8 híbrida plug-in, que chega por uns expressivos £69,385. Há descontos se o carro for encomendado antes do fim de novembro de 2024 - até £1,700 não é algo para ignorar.
O nosso exemplar também veio com a opção Polestar Performance marcada na lista: é um ajuste de software de £695 que mexe eletronicamente no conjunto motriz para deixá-lo “mais Polestar”. Ele não altera os números gerais de desempenho, mas coloca um pouco mais de espectáculo na experiência, com altura ao solo mais baixa, trocas de marcha otimizadas e uma lógica que dá prioridade ao desempenho dentro do sistema híbrido.
Sem isso, as opções de modo de condução ficam basicamente entre Comfort e Off-road.
Não é exagerado, não?
Para ser sincero, quando o carro chegou nós não tivemos certeza se a ideia funcionava. Só que, depois de alguns dias, o visual discreto e “furtivo” foi ganhando pontos. A pintura Onyx Black e os emblemas escuros têm o seu charme - embora o XC60 passe bem perto daquela estética de “chefia intermédia” no equivalente a uma quadrilha.
Também é sintomático do momento atual que as rodas de 21in nem pareçam tão grandes assim… mas dizem que o preto emagrece.
O que mudou por dentro?
O pacote Black Edition é montado sobre duas das configurações mais bem equipadas do XC60 - Plus e Ultimate. Ou seja: além de tudo o que essas versões já oferecem, no Plus entram volante aquecido, iluminação ambiente, sistema de purificação do ar e câmaras de estacionamento com visão 360 graus.
Já o Ultimate adiciona suspensão pneumática eletrónica com amortecedores adaptativos, faróis mais sofisticados, ajuste elétrico para o banco do passageiro e um sistema de som Bowers & Wilkins melhorado.
Seguindo a proposta externa, o habitáculo vem em tons de carvão, com bancos em couro parcial ou couro integral, dependendo da configuração. Ainda assim, o clima não fica só na linha sombria “Família Addams”, porque há uma boa dose de alumínio espalhada para dar um ar mais leve. A versão Ultimate que conduzimos tem também teto solar panorâmico, o que ajuda bastante.
E vale lembrar: o interior do XC60 já era bem acertado. Na frente, é confortável; atrás, há bastante espaço; e o porta-trecos e as soluções de armazenamento na cabine são honestos. A Black Edition acrescenta uma camada de “ou Hygge ou nada feito” ao conjunto.
Ao volante, ele é tão ousado quanto parece?
O XC60 T8 até aguenta bem um ritmo mais apressado, mas dá para sentir que isso não é exatamente onde ele se sente em casa. A suspensão a ar faz um trabalho muito competente ao absorver irregularidades e manter o rodar macio, ao mesmo tempo em que segura a inclinação da carroçaria na maior parte do tempo - por isso, a nossa sugestão é: abrace a vibe de “corporativo de rua” e curta o ambiente.
Ainda assim, gostámos da disposição nas arrancadas do “Grand Prix” do semáforo. O 0–62mph em 4.9secs, entregue pela combinação do motor a gasolina 2.0-litre com o motor elétrico - totalizando 449bhp -, combina com a postura mais agressiva do lado de fora.
As demais versões também não são exatamente lentas - a opção a gasolina de entrada faz em 6.9 seconds -, mas se é para entrar nessa, melhor fazer direito, não? Só não dá para contar com o XC60 como carro de fuga: a Volvo limita a velocidade máxima de todos os seus modelos a 112mph.
No caso do T8 PHEV, a autonomia oficial é de 47 miles. No nosso uso, conseguimos 41 miles com a bateria a indicar 43 miles quando totalmente carregada, o que está longe de ser mau. Híbridos plug-in como este só fazem sentido quando existe acesso a carregamento mais barato - como uma wallbox em casa ou carregamento na rua com tarifas noturnas mais em conta.
O consumo oficial é de 217mpg, um número quase absurdo. O conflito “estranho” de um carro assim é o seguinte: se carregar o tempo todo, dá para ter um consumo de combustível praticamente ilimitado (mas aí era melhor comprar um EV); quando a bateria acaba, a realidade vira 35mpg. O que, para ser justo, ainda é melhor do que o motor a gasolina de entrada nesta pequena gama Black Edition, que oferece as opções T6 com 345bhp e T8 PHEVs com 449bhp, além do B5 a gasolina 2.0-litre com 247bhp.
Vale a pena comprar?
O receio era a Volvo tentar transformar o XC60 num SUV médio com pretensões de desportivo agressivo ao lançar esta Black Edition. A suspensão a ar dá uma mudança de carácter suficiente para satisfazer quem gosta de “apertar”, mas - felizmente - o carro continua com o seu jeito aveludado.
Os detalhes levemente “bling” da Black Edition vão do gosto de cada um, mas o conjunto foi ficando mais simpático quanto mais tempo passámos com ele. É claro que a novidade perde força se muita gente comprar, mas dá para imaginar a tentação, caso houvesse dinheiro e vontade.
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