Há sete meses, quando o navio Felicity Ace afundou, ele transportava cerca de 4000 automóveis do Grupo Volkswagen - incluindo 189 Bentley - todos com destino à América do Norte.
Mesmo antes de a embarcação chegar ao seu repouso final no fundo do Atlântico, as marcas impactadas já corriam para recompor os modelos “perdidos”. A Lamborghini, por exemplo, chegou a retomar a produção do Aventador para garantir a entrega dos últimos 15 Aventador Ultimae aos respectivos proprietários.
Modelos Bentley Mulliner estavam a bordo
Entre os Bentley levados no Felicity Ace, havia também unidades únicas, personalizadas pela Mulliner, a divisão responsável pelos Bentley mais exclusivos do planeta.
Ainda assim, isso não impediu a marca sediada em Crewe, no Reino Unido, de conseguir substituir todos os carros perdidos no naufrágio.
“Antes do navio afundar já tínhamos colocado todas as encomendas novamente no nosso sistema”, explicou Mike Rocco, vice-presidente de vendas e operações da Bentley Americas, à Automotive News.
“Dos 189 carros que seguiam a bordo, 151 estavam pré-vendidos ou tinham sido encomendados por clientes, e só perdemos três ou quatro clientes, no máximo. Os nossos concessionários fizeram um trabalho fantástico a manter os clientes e a informá-los”, acrescentou.
Impacto para a Bentley nas Américas
Em 2021, a Bentley vendeu 4212 veículos para o continente americano - um total que evidencia o peso dessa região para a marca e mostra como os 189 exemplares a bordo do navio representavam um volume relevante.
Como a Bentley conseguiu repor a produção?
“Com base na procura noutras partes do mundo, fomos capazes de agarrar logo slots de produção”, contou Rocco. Em seguida, ele destacou uma série de fatores que ajudaram a montar um plano para repor os carros no menor prazo possível.
A China chegou-se logo à frente e disse ‘Estamos com menos procura; podemos ajudar-vos com alguns carros’, explicou Rocco.
Depois, veio a invasão da Ucrânia pela Rússia, o que fez a Bentley parar de exportar veículos (e componentes) para aquele país. “Esses slots de encomendas abriram e nós fomos capazes de reagir muito rápido”, completou.
Como era de se esperar, foi preciso muito “jogo de cintura” para contornar a situação - sobretudo porque todos os Bentley são produzidos em uma única fábrica, em Crewe, com o apoio de técnicas ainda artesanais.
Promessa cumprida (antes do tempo)
Vale lembrar que, em março deste ano, poucas semanas após o naufrágio do Felicity Ace, Adrian Hallmark, diretor executivo da Bentley, já havia destacado - em declarações à Automotive News - a “ginástica” necessária para manter todos os clientes satisfeitos, chegando a dizer que as concessionárias estavam “fazendo coisas inteligentes” para atender aos pedidos.
Naquela ocasião, Hallmark prometeu que todos os modelos seriam substituídos até o fim de 2022. A meta acabou sendo atingida antes, já que o último desses 189 automóveis foi entregue em setembro.
Fonte: Automotive News
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