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Lucid Air: guia detalhado do Air Pure e do Sapphire

Carro elétrico cinza em estrada deserta com montanhas rochosas ao fundo, sob céu parcialmente nublado.

Lucid Air? O que é isso?

Sim, é um carro - pode confiar. Trata-se do sedã de luxo da Lucid, uma fabricante de elétricos que, depois de passar pelo universo das baterias, decidiu mirar diretamente no Tesla Model S com um EV premium próprio. É quase um “disruptor do disruptor”.

E isso está dando certo?

A Lucid não escapou das dores típicas de uma startup de carros elétricos. Demissões, entraves na cadeia de fornecimento e outros percalços deixaram a marca no mesmo terreno instável de várias concorrentes. Ainda assim, a empresa segue tocando o projeto do futuro SUV Gravity e, ao mesmo tempo, planejando o que vem depois.

Enquanto isso, ela continua evoluindo o Air e vem simplificando a gama para reduzir a confusão. A principal novidade nessa linha mais enxuta é este modelo de entrada recém-lançado: o Air Pure.

O que ele tem de “Pure” (puro)?

Na essência, é uma versão mais contida do sedã em vários aspectos. Mas o ponto central é que agora ele é oferecido apenas com um motor, enquanto as demais versões usam dois ou três motores. Com isso, o Pure também vira a única configuração do Air com tração traseira.

Então ele é o mais divertido?

Complicado afirmar. Depende do que você entende por diversão. Para começar, o Air - em qualquer versão - nunca foi exatamente carente de bom comportamento dinâmico. Aliás, está entre os EVs mais prazerosos de guiar hoje em dia, sem rodeios.

Por que você diz isso?

Nos últimos tempos, as montadoras têm tentado explorar a força da eletrificação para encaixar a “diversão” no DNA de cada marca - com níveis variados de acerto. A Hyundai e a Kia, por exemplo, encontraram seu espaço com o ágil e escorregadio Ioniq 5 N e o EV6 GT. A Rivian busca emoção no fora de estrada, e a Mini apenas eletrificou o que já era esportivo no Cooper.

Aí entram marcas como a AMG. Como uma divisão de desempenho - famosa por potência e barulho - mantém sua identidade quando não pode enfiar um V12 biturbo em todo lugar? Ainda estamos, coletivamente, descobrindo.

Hoje, um bom termômetro é o AMG EQE. É um bom carro, mas ele isola o motorista de praticamente tudo: o tratamento acústico, a suspensão a ar e até um feedback artificial que tenta substituir o “som de motor”. É o único carro que passa a sensação de um simulador de realidade virtual, só que na vida real. Com esse pano de fundo, o Lucid Air acaba sendo o oposto disso.

O que diferencia o Lucid Air?

Em grande parte, a calibragem de suspensão. Apesar de toda a atenção futurista dedicada a itens como motores elétricos, composição do pacote de baterias e coeficiente aerodinâmico da carroceria, o conjunto responsável pela dirigibilidade é bem tradicional.

O carro usa duplo triângulo na dianteira e multibraço atrás, ambos com amortecedores adaptativos que mudam conforme o modo de condução. Nada de suspensão a ar no Air.

Na prática, isso faz com que o Air comunique muito bem o que está acontecendo quando você dirige com mais vontade. Há retorno verdadeiro do asfalto pelo volante; dá para sentir pelo banco como o carro “assenta” no chão, como a carga se desloca nas curvas e assim por diante. E, mesmo que pareça aquele caso de “não é defeito, é recurso”, o isolamento acústico da cabine não é dos mais espessos - o que também entrega feedback pelo ouvido.

Às vezes aparece ruído mecânico, muitas vezes vêm os pneus, mas, na maior parte do tempo, o que se ouve é o zumbido do motor.

Deixar esse som natural aparecer também evita ter de “resolver” o problema da ausência de barulho de motor a combustão, então não há necessidade de inventar algo para imitar. Somando tudo, o Air adiciona um certo ar de autenticidade a EVs que, em geral, parecem frios e digitais.

Como o Pure é diferente?

No volante, o Pure tem a dianteira mais leve e muda de direção com rapidez, ajustando o ângulo sem esforço. O motor único entrega 430hp - é bastante, embora não seja algo que impressione de maneira específica.

Nessa configuração, o Air se comporta como um EV moderno: quando você afunda o pedal, há um empurrão forte, e ele acessa essa força instantaneamente, mas não é o tipo de aceleração que vai “explodir” em vídeos por aí. No papel, a Lucid afirma que o Pure faz 0 a 96 km/h em 4,5 segundos.

Qual Air é o que derrete a sua cara?

Esse título fica com o Sapphire: a versão de três motores que entrega 1,234hp mais rápido do que você consegue dizer “one two three four.” A Lucid declara 0 a 96 km/h em 1,85 segundo - algo que não colocamos à prova para não acabarmos com um novo par de pulseiras de aço. Ainda assim, ele tinha uma capacidade particular de revirar nossas entranhas quando o pé ficava mais pesado.

Essa versão mantém um arranjo de suspensão semelhante ao do Pure, mas inclui uma barra estabilizadora oca. Já o Pure também conta com vetorização de torque assistida para ampliar o controle - só que, no caso dele, é assistida pelos freios. No Sapphire, a tração integral permite uma entrega de potência completa.

Mesmo com toda essa força, o Sapphire não é indomável: ele só tem potência de sobra - e mais um pouco - enquanto gruda no chão e contorna curvas com facilidade. O limite real passa a ser seu talento e sua imaginação. De certa forma, isso até desanima, porque parece um “código de trapaça”: você desbloqueou a capacidade de um carro de corrida, mas está em um sedã de luxo com quatro portas. Pelo visto, não há motivo para correr atrás daquela licença de pilotagem agora.

E no uso normal, como é o Air?

O Lucid é tão manso quanto se espera de um carro desse tipo. A cabine é espaçosa e passa sensação de segurança, com um painel de aparência limpa e atual. A tela digital “flutuante” da Lucid aproveita bem a área disponível, e o console central complementa com outras funções, além de um mapa em tamanho cheio.

Houve uma redução grande de botões físicos, mas a maioria ainda existe de algum modo.

E a história de autonomia e bateria?

Vamos lá. O Pure vem com bateria de 88kWh e tem autonomia estimada entre 660 e 634 km, dependendo se ele está com rodas de 19 ou 20 polegadas. Já o Sapphire usa uma bateria de 118kWh e tem autonomia estimada pela EPA de 687 km.

Eles carregam rápido: o Pure consegue adicionar 322 km de carga em 17 minutos - e a linha deve se tornar compatível com a rede Tesla NACS Supercharger em algum momento no futuro próximo.

Quanto custa o Air?

Respire fundo. No Pure, o preço inicial é de US$ 69,900. As versões Touring e Grand Touring - que ainda não dirigimos - oferecem tração integral e potência entre 620 e 819hp; elas custam US$ 77,900 e US$ 109,900, respectivamente. E, para a joia da coroa da linha Air, prepare-se: o Sapphire sai por US$ 249,000.

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