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Sete carros incríveis com motores de Fórmula 1 (e mais três ligados à F1)

Carro esportivo Mercedes-Benz prata em exposição moderna com grandes janelas e capacete ao fundo.

Reunimos sete máquinas que receberam motores de Fórmula 1 - e a ideia é que essa lista só aumente nos próximos anos, por mais improvável que isso pareça.

E há opções para todos os perfis: dos supercarros mais previsíveis a vans totalmente inesperadas, passando por uma minivan realmente fora do comum.

Quando dinheiro não é obstáculo e imaginação sobra, surgem criações como estas, feitas para alimentar sonhos.

Renault Espace F1

A Renault Espace F1 nasceu de uma parceria entre a Renault e a Williams para comemorar os 10 anos da Espace - vale lembrar que, nos anos 90, a Renault era quem fornecia os motores para a equipe de Fórmula 1 da Williams.

Da Espace de segunda geração, na prática, ficaram apenas as linhas gerais da carroceria. Todo o restante tinha muito mais a ver com um Fórmula 1 de verdade do que com um carro de família.

O conjunto escolhido foi o 3.5 V10 do Williams-Renault FW15C. Com ele, a Renault Espace F1 entregava expressivos 820 cv. O motor ficava instalado entre os dois bancos traseiros, totalmente exposto, sem qualquer tipo de isolamento - coisa de maluco…

Até hoje, o que ela faz em desempenho não fica devendo para supercarro nenhum: 0 aos 100 km/h em apenas 2,8s e velocidade máxima de 312 km/h.

Alfa Romeo 164 Procar

Viva a Itália! Isso, sim, é um verdadeiro sleeper. Do trabalho conjunto entre a Brabham e a marca italiana surgiu, em 1988, o Alfa Romeo 164 Procar - um carro que, sob uma carroceria muito próxima da versão de produção, escondia um legítimo Fórmula 1.

Ao remover a parte traseira, aparecia o belo 3.5 V10 de 608 cv - motor originalmente desenvolvido para equipar os carros da Ligier no Mundial de F1.

Com esse projeto, a Alfa Romeo queria assumir o lugar da BMW no campeonato monomarca Procar, categoria em que a marca alemã colocou o BMW M1 para correr.

Como antes, a proposta era que o Procar funcionasse como corrida de apoio aos fins de semana da Fórmula 1. Só que isso nunca saiu do papel, e o Alfa Romeo 164 Procar acabou sem estrear oficialmente.

Em números, o 164 Procar precisava de apenas 2,8 s para chegar aos 100 km/h e atingia 349 km/h de velocidade máxima.

Ferrari F50

Como sucessor do histórico e celebrado Ferrari F40, o Ferrari F50 não conseguiu apagar a sombra do antecessor - será que o desenho da carroceria teve culpa? Ainda assim, olhando hoje para suas linhas, dá para dizer que o F50 envelheceu bem.

Se o visual não conquistou todo mundo de imediato, do ponto de vista mecânico não havia o que criticar. Sob a grande tampa traseira, vivia um 4.7 V12 naturalmente aspirado derivado diretamente do Ferrari 641 - o monoposto que correu em 1990 pela scuderia italiana.

No Ferrari F50, esse motor trazia cinco válvulas por cilindro (60 no total), rendia 520 cv e fazia 0-100 km/h em apenas 3,7s. Giro máximo? 8500 rpm.

A ligação com a Fórmula 1 também aparecia no esquema de suspensão traseira do tipo pushrod, com os pontos de fixação posicionados na transmissão.

Ford Supervan 2 e 3

É o que acontece quando um veículo comercial “cruza” com um monoposto de Fórmula 1: van do lado do pai, carro de corrida do lado da mãe. E a Ford já tinha repetido esse tipo de experimento em outros momentos da história, com diferentes gerações da Ford Transit.

A Supervan 2, apresentada em 1984, usava um Cosworth 3.9 V8 DFL, derivado do DFV da Fórmula 1, e foi “apanhada” a 281 km/h em testes em Silverstone.

Já a sucessora, a Supervan 3, apareceu em 1994. Baseada na 2, ela recebeu o Cosworth HB 3.5 V8, com aproximadamente 650 cv às 13 500 rpm.

Porsche Carrera GT

Para nós, ele é o último supercarro verdadeiramente analógico - o derradeiro representante de uma espécie que praticamente desapareceu e que já mereceu toda a nossa atenção.

Dono de um ronco viciante, o Carrera GT herdou o motor V10 que a Porsche desenvolveu nos anos 90 para a equipe de Fórmula 1 Footwork. Em 1999, esse mesmo motor deveria ter sido usado nas 24 Horas de Le Mans - e a marca chegou a criar um protótipo para acomodá-lo -, mas mudanças no regulamento de Le Mans bagunçaram os planos da fabricante alemã.

O projeto foi engavetado, e a Porsche se concentrou por completo no desenvolvimento de algo totalmente diferente… o Porsche Cayenne, o primeiro SUV da marca!

Heresia? Talvez… Só que foi justamente o sucesso comercial do Cayenne que ajudou a Porsche a reunir os recursos financeiros necessários para levar o Carrera GT adiante. O V10 saiu da gaveta e o resultado está aí: um dos melhores supercarros de todos os tempos.

Mercedes-AMG One

O Mercedes-AMG One é o integrante mais recente desse clube seleto. Os monopostos W07 Hybrid de 2016, que disputaram o campeonato de Fórmula 1, cederam o conjunto motriz: o mesmo 1.6 V6 turbo acoplado a dois motores elétricos - mais outro par instalado no eixo dianteiro -, somando 1063 cv (!).

Tudo isso dentro de uma carroceria que fica entre um carro de rua e um protótipo de Le Mans, com números à altura: apenas 2,9s no 0 aos 100 km/h, 7,0s até 200 km/h e, em meros 15,6s, já estamos passando de 300 km/h. A máxima é limitada a… 352 km/h.

Exclusivo (275 unidades) e custando três milhões de euros, ainda assim isso não impediu que uma unidade do modelo tivesse Portugal como destino.

Yamaha OX99-11

A relação da Yamaha com a indústria e a competição automotiva vem de longe. A marca entrou no universo da Fórmula 1 a partir de 1989, fornecendo motores para Jordan, Tyrell e Brabham.

Dali até o OX99-11, aplicando tecnologia desenvolvida nas pistas, foi um “saltinho”. Com dois lugares em tandem (um atrás do outro) e posição de condução central, ele parecia mais um protótipo saído de Le Mans.

O grande destaque era o motor, diretamente ligado ao que a marca entregava à Fórmula 1: um 3.5 V12 com cinco válvulas por cilindro - 60 válvulas no total - usado no Brabham BT59, foi “civilizado” e passou a gerar mais de 400 cv (várias fontes indicam 450 cv), mas a impressionantes 10 000 rpm. As prestações eram exacerbadas pela massa ligeira do OX99-11: apenas 1000 kg.

Foram feitos três protótipos, preparando o caminho para uma produção em série a partir de 1994 - algo que nunca se concretizou. O valor estimado por unidade era de um milhão de dólares (pouco mais de 876 mil euros).

Reunimos sete automóveis que receberam motores de Fórmula 1, mas isso não encerra a história. A ligação entre os motores de Fórmula 1 e os carros de rua teve outras ramificações.

BMW 02

E o que esse oitavo carro, tão “discreto”, está fazendo aqui - o BMW 1600-2?

Diferentemente dos demais desta lista, aqui o caminho foi o contrário: o M10, motor que equipou a série 02 - do 1600-2 original ao 2002 tii, sem esquecer o insano 2002 Turbo - serviu de base para os M12 e M13, de apenas 1,5 l, usados na Fórmula 1 nos anos 80, na primeira era turbo da categoria.

Pequeno, mas extremamente resistente, esse bloco virou sinônimo de versatilidade mecânica - fez carreira brilhante tanto nas ruas quanto nas pistas. Mesmo com inúmeras alterações de componentes, o bloco em si permaneceu inalterado, o que impressiona diante do que se exigia dele. Consta que, no auge do desenvolvimento (1986), chegou a bater 1400 cv em classificação!

Em 1983, Nelson Piquet conquistou o campeonato de Fórmula 1 com o Brabham BT52 equipado com esse motor - 650 cv em corrida e mais de 850 cv em qualificação. Basta comparar com os modelos de rua: no selvagem BMW 2002 Turbo, com 2,0 l, o M10 ficou em 170 cv.

Calma, ainda não terminou. Dá para incluir mais um par de exemplos… Mesmo sem um motor derivado de um monoposto de Fórmula 1, eles têm relação direta com a categoria.

Aston Martin Valkyrie

Sendo bem francos, o Aston Martin Valkyrie não usa um motor de Fórmula 1 - embora seu V12 naturalmente aspirado, capaz de 11 100 rpm, seja da Cosworth, cuja história se confunde com a da F1 -; ainda assim, ele foi concebido pelas mesmas mentes que projetam os monopostos da categoria.

O projeto foi uma colaboração entre a marca britânica e a equipe de Fórmula 1 da Red Bull. No comando está Adrian Newey, o super engenheiro responsável por inúmeros carros vencedores na Fórmula 1, seja por Williams, McLaren ou, claro, Red Bull. Conheça-o em mais detalhes:

Lexus LFA

O LFA é o primeiro e, por enquanto, único supercarro da Lexus, e não traz motor de Fórmula 1. Ainda assim, o desenvolvimento do seu V10 estridente ficou nas mãos do mesmo time que criou os motores da Toyota na Fórmula 1.

Mais do que os números frios, o que realmente marcava era o som do 4.8 V10 de 560 cv. Um motor de musicalidade rara, capaz de chegar a 9000 rpm! Esse superesportivo japonês fazia 100 km/h em apenas 3,6 e alcançava 325 km/h de velocidade máxima.

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