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NHTSA anuncia recolhimento de 362 758 Tesla com FSD Beta

Carro elétrico Tesla branco em ambiente interno moderno com telas digitais ao fundo.

Há pouco tempo, comentamos que o sistema FSD Beta (Full Self-Driving) da Tesla estava “sob fogo cruzado”, depois que um comercial exibido durante o Super Bowl levantou dúvidas sobre a tecnologia.

Agora, o assunto volta ao centro do debate com o comunicado de recolhimento oficial feito pela NHTSA (Administração Nacional de Segurança no Tráfego Rodoviário dos EUA), que determina a correção em todos os Tesla equipados com o FSD Beta (versão não final), totalizando 362 758 unidades.

Recolhimento da NHTSA: por que o FSD Beta voltou ao foco

A decisão aparece após uma investigação prolongada conduzida pela NHTSA sobre o sistema - e também sobre o assistente de condução Autopilot da Tesla -, motivada pelo envolvimento dessas funções em alguns acidentes de grande repercussão.

No comunicado, a NHTSA descreve de forma direta a razão do recolhimento:

“O software FDS Beta permite que o veículo exceda os limites de velocidade ou atravesse cruzamentos de uma forma ilegal ou imprevisível aumentando o risco de uma colisão”.

NHTSA

O que a NHTSA diz que o sistema pode fazer no trânsito

De acordo com o relatório do órgão, o FSD Beta pode levar o carro a seguir em frente em um cruzamento mesmo quando estiver em uma faixa que exige conversão à esquerda ou à direita; pode avançar sem a cautela necessária quando o semáforo está amarelo; ou deixar de obedecer a uma placa de PARE. A NHTSA também identificou falhas na forma como o sistema reage a alterações nos limites de velocidade.

FSD Beta: o que é?

O FSD Beta é um recurso opcional oferecido para todos os modelos da Tesla. Trata-se de um software que utiliza as câmeras e os sensores do veículo e que, como a marca norte-americana divulga, entregaria “capacidade de condução autônoma total”. Na prática, isso não corresponde à realidade.

Dentro dos seis níveis de automação de direção, o FSD Beta se enquadra como Nível 2 (ou, no máximo, um Nível 2 avançado, considerando o conjunto de funções disponíveis). Em outras palavras: oferece capacidades semiautônomas, auxiliando o motorista, mas exigindo atenção constante - o mesmo princípio adotado pelo restante da indústria automotiva.

Para que fosse considerado totalmente autônomo, teria de estar no Nível 4 ou 5 - ou, no limite, no Nível 3, que é o primeiro a permitir funções realmente autônomas. Hoje, nenhum desses níveis mais altos é amplamente permitido, com exceção do Nível 3, ainda assim restrito a locais e condições bastante específicas, como já vimos no sistema Drive Pilot da Mercedes-Benz.

Solução: atualização do software FSD Beta

O recolhimento envolve toda a linha da Tesla, incluindo o Model 3 (2017-2023), o Model S (2016-2023), Model X (2016-2023) e o Model Y (2020-2023).

Essa operação não exige que os proprietários levem o carro a uma assistência técnica. Como os veículos da Tesla recebem atualizações remotas de software (over the air), é por esse meio que a correção será aplicada.

A atualização será gratuita, e os proprietários devem receber notificações a respeito no próximo dia 15 de abril.

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