A Audi vive hoje um impasse em relação ao seu modelo de topo de linha, o A8. A geração atual deve sair de produção no fim do próximo ano e, até o momento, não há clareza sobre quando um sucessor chegaria - ou mesmo se ele de fato existirá.
O que travou o sucessor do Audi A8
Boa parte dessa incerteza tem relação direta com o momento da Porsche. A queda nas vendas na China, as tarifas impostas pelos EUA e o retorno abaixo do esperado do investimento em eletrificação levaram a marca alemã a reavaliar toda a estratégia para os próximos anos.
Dentro dessa reestruturação, um dos projetos que acabou atingido foi o K1, um SUV acima do Cayenne, com três fileiras de assentos e proposta 100% elétrica. A Porsche colocou o K1 em espera por tempo indeterminado e, por consequência, isso afetou também o sucessor do Audi A8, já que ambos os projetos compartilhavam a mesma base.
Segundo o Automotive News Europe, o plano original da Audi era lançar dois modelos totalmente elétricos para substituir o A8 em 2027: um sedã conhecido internamente como Landyacht e um crossover chamado de Landjet.
Sem essa arquitetura disponível, a marca de Ingolstadt passa a ter de buscar uma alternativa - e, ao mesmo tempo, reconsiderar se a aposta exclusiva em elétricos é realmente o caminho mais adequado.
Com a demanda por veículos elétricos de luxo abaixo do que se esperava, o CEO da Audi, Gernot Döllner, reabriu a discussão sobre quais conjuntos mecânicos devem equipar os futuros modelos topo de linha da marca das quatro argolas, incluindo a possibilidade de adotar sistemas híbridos.
Há alternativas?
Uma das opções em análise é desenvolver uma nova geração do Audi A8 com motor a combustão (com eletrificação parcial). Conforme fontes relataram à Automobilwoche, essa solução poderia funcionar como um modelo de transição - embora seja improvável que chegue antes de 2030.
Outra saída seria atualizar a geração atual, lançada em 2017 e baseada na plataforma MLB evo. Porém, a Audi já indicou que não pretende seguir por esse caminho: “uma atualização não é opção”. O motivo seria o custo elevado para adequar o carro às regras mais recentes, como as de emissões.
Plataformas em jogo para o próximo Audi A8
Ainda assim, o Grupo Volkswagen dispõe de outras arquiteturas que podem entrar na equação. Uma delas é a MSB (estreada em 2016), usada por modelos como Porsche Panamera e Bentley Continental GT - mas essa plataforma também já está no fim de seu ciclo.
Outra possibilidade envolve as bases que a própria Audi já utiliza em sua linha: a Premium Platform Combustion (PPC) e a Premium Platform Electric (PPE). A PPC tem margem de flexibilidade para crescer, estreou no Audi A5 e também está destinada aos futuros SUVs Q7 e Q9.
Já a PPE é voltada exclusivamente a modelos elétricos. Ela aparece no Q6 e-tron e no A6 e-tron, além de ser a base do Porsche Macan e do futuro Cayenne elétrico. O problema, nesse caso, é que a Audi volta a esbarrar na limitação de ficar presa a um conjunto motriz elétrico, justamente em um cenário de aceitação de mercado aquém do esperado.
Pressão interna e prazo para definição
De acordo com o diretor técnico Geoffrey Bouquot, “a Audi está avaliando o momento certo e o conceito de propulsão mais adequado para o sucessor do A8”. Mesmo assim, a falta de uma definição já começa a gerar impaciência dentro da empresa.
Em uma reunião recente do conselho trabalhista, com cerca de 3000 funcionários, o representante Robin Lörcher pediu que a administração estabeleça rapidamente um plano para evitar um vazio de produção entre o Audi A8 atual e seu (eventual) substituto.
A decisão sobre o caminho a seguir deve sair antes do fim do outono, mas qualquer novo modelo - elétrico ou não - ainda está a vários anos de chegar ao mercado. Isso sugere, muito provavelmente, que a Audi ficará por um período significativo sem um porta-estandarte para enfrentar os rivais da Mercedes-Benz e da BMW, respectivamente, o Classe S e o Série 7.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário