Depois de dirigir o Nissan Ariya em Estocolmo, na Suécia, Miguel Dias disse que o primeiro SUV elétrico da marca japonesa tem tudo para se tornar o elétrico mais vendido da Nissan.
A dúvida é se ele entrega o que promete nesta configuração menos potente, com a bateria de 63 kWh - a menor da linha. Hora de colocar o modelo à prova.
Aposta ganha
Uma das primeiras coisas que notei nos dias em que estive ao volante do Nissan Ariya foi como ele consegue chamar atenção por onde passa. Ao que tudo indica, a nova linguagem de design da Nissan é uma “aposta ganha”.
Ainda assim, o que mais me marcou foi o interior deste crossover elétrico japonês. O estilo novo rompe completamente com o passado da marca e aposta em uma proposta mais elegante e agradável.
Na prática, o Ariya não se destaca apenas dentro da Nissan; ele também se coloca muito bem diante de alternativas como o Volkswagen ID.5 ou o Skoda Enyaq iV.
Além disso, a cabine é bem ampla e oferece ótimas medidas de habitabilidade. Por usar a plataforma CMF-EV - a mesma do Renault Mégane E-Tech Electric - nem é preciso pegar a trena para confirmar que o Nissan Ariya é mais espaçoso do que o Qashqai.
A sensação é de estar sempre em um ambiente bem arejado, percepção reforçada pelo assoalho plano, sem túnel de transmissão.
O único ponto em que ele fica atrás de alguns concorrentes é o porta-malas. Os 468 l informados são menos do que os 543 l do Volkswagen ID.4 ou os 588 l do IONIQ 5. Ainda assim, mesmo com menor volume, ele continua atendendo bem às necessidades de uma família.
“Esqueçam” os números
Com apenas um motor e tração dianteira, este Ariya vem com 160 kW (218 cv) e 300 Nm, conjunto suficiente para fazer de 0 a 100 km/h em 7,5s. Já a bateria de 63 kWh promete autonomia de até 403 km.
São números interessantes, mas longe dos mais chamativos e desejados do Ariya equipado com a bateria maior. Só que, uma vez ao volante do Ariya, “esquecemo-nos” desses dados.
Na prática, eles se mostram mais do que suficientes para garantir bom desempenho ao crossover elétrico da Nissan.
Mesmo assim, o conjunto do Ariya parece convidar a uma condução mais tranquila e relaxada.
A suspensão tem um acerto claramente voltado ao conforto, algo que fica evidente quando enfrentamos um trecho mais sinuoso.
Sempre seguro e estável, o Ariya acaba exibindo um pouco mais de inclinação da carroceria nas curvas do que alguns rivais. Em compensação, está entre os modelos mais confortáveis e mais fáceis de conduzir com serenidade no segmento.
Chega longe?
Autonomia ainda é um dos temas centrais em qualquer elétrico, e a experiência da Nissan com modelos desse tipo aparece aqui.
Ao longo deste teste, o consumo ficou entre 15,1 kWh/100 km e 17,1 kWh/100 km em um conjunto de trajetos mistos, incluindo também vários trechos de rodovia.
Os 403 km de autonomia são possíveis? Sim, mas para chegar lá é preciso aliviar um pouco o ritmo. Já sem grandes preocupações, dá para rodar entre 300 km e 350 km - um alcance que permite tanto encarar a rotina quanto as “escapadelas” de fim de semana.
É o carro certo para você?
Com uma cabine espaçosa e especialmente agradável, uma boa lista de equipamentos de série e uma condução orientada ao conforto, o Nissan Ariya tem argumentos não só para se destacar dentro da gama Nissan, mas também no próprio segmento.
Para quem não “devora” quilômetros, este Nissan Ariya com a bateria menor de 63 kWh deve atender à maior parte das necessidades.
O preço também é mais contido do que o do Ariya 87 kWh, e todas as demais qualidades que reconhecemos no Ariya continuam presentes.
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